domingo, 18 de abril de 2010

Breve História do TDA/H

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é o nome dado à uma síndrome neurobiológica que foi descrita pela primeira vez em1798 pelo médico e autor escocês Alexander Crichton em seu livro " An inquiry into the nature and origin of mental derangement: comprehending a concise system of the physiology and pathology of the human mind and a history of the passions and their efects." (Algo como: "Uma investigação da natureza e origem da perturbação mental: Compreendendo um sistema conciso da fisiologia e patologia da mente humana e uma história das paixões e seus efeitos". No capítulo entitulado "Attention", Crichton descreveu uma "inquietação mental":




Ele observou que "A incapacidade de prestar atenção com um grau necessário de constância a qualquer objeto, quase sempre surge de uma sensibilidade anormal ou mórbida dos nervos, o que significa que esta capacidade (de manter a atenção em um só objeto) é continuamente retirada de uma impressão para outra (querendo apontar a tendência a distração, a mudança constante de foco). Pode ter ou nascido com uma pessoa ou efeito de doenças acidentais"

Ele também falou das características hiperativas dos portadores do transtorno:

"Nesta doença de desatenção, se é que podemos chamar-la assim, qualquer coisa parece agitar a pessoa e causa a ele ou ela um grau anormal de agitação mental. Pessoas andando de um lado para o outro, um leve barulho, uma porta sendo fechada repentinamente, a mudança de temperatura, muita ou pouca luz, tudo destrói a atenção constante em tais pacientes. (...) eles têm um nome particular para o seu estado de nervos, que expressa seus sentimentos à contento. Eles dizem ter "the fidgets" (referindo-se aos movimentos impacientes comuns aos hiperativos)"

Os estudos dp Dr. Crichton foram além e abordaram também as dificuldades que as crianças com esta condição tinham na escola. Ele sugeriu que os professores passassem a ser mais observadores na sala de aula, percebendo algumas características comuns a alguns alunos - possíveis portadores do transtorno - durante aulas de gramática grega e do latim, que costumavam ser monótonas e aumentavam a tendência a distração. Ele afirmou que nem o medo de apanhar de vara (punição comum em salas de aula na época caso o aluno faltasse com respeito ao professor) e nem qualquer outro tipo de punição era suficiente para que estes alunos prestassem atenção.

O trabalho do Dr. Crichton estava há quase dois séculos a frente de seu tempo Ele descreveu com sucesso as características mais salientes deste transtorno incluindo a desatenção, a inquietação, o início precoce e como este quadro afeta o processo educacional. Suas observações sobre o que agora é conhecido como o subtido inatento do TDA/H são quase compleamente consistentes com os critérios para este transtorno usados hoje em dia e descritos no atual Manual Diagnóstico e Estatístico do Transtornos Mentais (DSM-IV).

Em 1902, Sir George Frederick Still, considerado o pai da medicina na Inglaterra, foi o primeiro professor de medicina infantil no país e apresenteu em 1902 uma série de três palestras com o nome de "Palestras Goulstonianas" sobre algumas "condições físicas anormais em crianças".




Ele descreveu o caso de 43 crianças que tinham sérios problemas em manter a atenção e a auto-regulação, que costumavam demonstrar comportamento agressivo , desafiador, resitentes à disciplina, excessivamente emotivos ou intensos, que demonstravam pouca inibição da vontade (creio ele se referia à impulsividade)s e não conseguiam aprender com as conseqüências de suas ações; embora o nível intelectual destas crianças fosse normal. O foco de Still, diferente de Crichton, estava mais nas características morais do transtorno que hoje sabe-se podem ser comorbidades bastante comuns em crianças.

"Eu diria que uma característical notável em muitos destes casos de defeito moral sem danos gerais no intelecto é uma incapacidade bastante anormal da atenção sustentada" (Still, 1902). E ele concliuiu: "existe um defeito de consciência moral que não deve ser considerado forma alguma como responsabilidade do ambiente. Still partia do princípio de que o controle moral do comportamento significava o controle da ação mediante a ideia do que é bom para todos.

Depois de da epidemia de encefalite em 1917 e 1918. muitos pediatras notaram um aumento no número de pacientes exibindo sintomas de hiperatividade, falta de foco e impulsividade. Os médicos acreditavam que esses comportamentos eram resultados de danos cerebrais causados pela encefalit, uma doença que causa inflamação no cérebro. A medida que estas crianças foram ficando mais velhas, os médicos descobriram que a maior parte delas eram na verdade muito inteligentes. Deram o nome desta condição então de "lesão cerebral mínima".

Um distúrbio com características parecidas com o TDA/H apareceu pela primeira vez no Manual Estatístico de Diagnóstico dos Transtornos mentais em 1968. Chamado de " Reação Hipercinética da Infância", seu sintoma primário era a hiperatividade. Sintomas menores incluiam a inabilidade de concentrar-se e inquietação. A ritalina, um estimulante, havia sido introduzido em meados dos anos 50 e foi usado amplamente para o tratamento de pacientes hiperativos. Profissionais da saúde mental acreditavam que a hiperatividade é uma condição infantil e que sumiria com o passar do tempo.

Nos anos 70, pesquisas começaram a focar os aspectos da desatenção no TDAH. Virginia Douglas, Ph.D., e Susan Campbell, Ph.D., determinaram que a desatenção, sonhar acordado e falta de foco estavam todos associados com impulsividade verbal, física e cognitiva. Essa pesquisa foi a inspiração para o nome Distúrbio de Déficit de Atenção(DDA, ou em inglês ADD - Attention Deficit Disorder). A versão do DSM lançada nos anos 80 incluiu critérios de diagnóstico para o DDA com ou sem hiperatividade. Os profissionais da saúde mental começaram a notar que muitos dos pais dessas crianças diagnosticadas com DDA pareciam ter os mesmos sintomas e assim foi dado início aos estudos de DDA com adultos.

No fim dos anos 80, pesquisadores introdurizam a teoria de que o DDA seria causado pela recepção ou tradução incorreta que o cérebro faria das novas informações que chegavam. A American Psychiatric Association (APA) renomeou o quadro de "Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade (DDAH) e definiu três butipos: com predomínio da desatenção, com predomínio da hiperatividade e o misto, que combina a desatenção e a hiperatividade. No então, trocou-se a palavra "Distúrbio" por "Transtorno", uma vez que a condição não é considerada uma doença, mas um transtorno que essa instabilidade na atenção, na hiperatividade e na impulsividade causam na vida do portador. Atualmente o nome é dado em referência aos sintomas do quando e não à origem.









Mais Detalhes, aqui:
Avaliação e Diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
History and Discovery of ADHD -
The History of ADHD
Entrevista com a Dra Ana Beatriz Barbosa e Silva para o programa Almanaque da Globo News

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